A próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas começa a ganhar forma antes mesmo de as delegações desembarcarem em Antalya, na Turquia. Durante a Climate Week de Nova York, discussões sobre financiamento, indústria, segurança energética e competitividade deram sinais dos temas que devem acompanhar o caminho até a COP31 e reforçaram um desafio para o Brasil: transformar as vantagens de sua matriz energética e sua capacidade produtiva em maior presença nas decisões internacionais.
A Binatural participou dessa agenda em Nova York, representada por seu CEO e cofundador, André Lavor. Ao longo da semana, a companhia esteve presente em encontros com lideranças empresariais, representantes de governos e organismos internacionais. Durante as reuniões, houve discussões sobre os caminhos para transformar compromissos climáticos em ações concretas.
Um dos eventos que conectaram diretamente a agenda de Nova York à próxima conferência foi o “The Road to Antalya COP31”. Durante o evento, Lavor direcionou uma pergunta a Fatma Varank, vice-ministra do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas da Turquia e CEO da COP31, sobre o espaço dos biocombustíveis nas discussões da próxima conferência.
A questão teve como ponto de partida o compromisso que o Brasil ajudou a colocar na agenda internacional na COP30: o de quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis até 2035. O debate envolve não apenas o cumprimento de metas climáticas, mas também os instrumentos necessários para estimular a adoção dessas soluções e incorporá-las às Contribuições Nacionalmente Determinadas, as NDCs, dos diferentes países.
“Antecipar essa discussão é importante porque a COP não começa quando os países chegam à conferência. Muitas das prioridades, conexões e decisões começam a ser construídas meses antes. O setor produtivo brasileiro precisa participar desse processo e mostrar que temos soluções que não estão apenas em desenvolvimento, mas que já operam em escala”, afirma André Lavor.
As discussões realizadas em Nova York indicaram uma agenda climática internacional cada vez mais conectada à capacidade de execução. No UN Private Sector Forum, que reuniu cerca de 150 lideranças empresariais, governamentais e das Nações Unidas, temas como financiamento, competitividade, segurança energética e desenvolvimento dividiram espaço com as questões ambientais.
Esse cenário abre espaço para que o Brasil apresente suas vantagens de forma mais integrada. O país reúne produção agrícola, capacidade industrial, recursos naturais e uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis. No caso dos biocombustíveis, soma-se uma cadeia produtiva estruturada, com experiência acumulada de produção e uso em escala.
O biodiesel é um desses exemplos. Além de contribuir para a substituição do diesel fóssil, sua cadeia conecta produção de energia, agricultura, industrialização, geração de emprego e renda e segurança energética. O Brasil também dispõe de capacidade produtiva instalada para atender a uma demanda maior, criando condições para que o biocombustível avance em novas aplicações.
A presença brasileira nos fóruns internacionais torna-se, portanto, uma oportunidade para demonstrar que a contribuição do país à transição energética não se limita à disponibilidade de recursos naturais. Há uma base industrial consolidada e soluções que podem gerar resultados no presente.
Os encontros entre empresas, governos, investidores e organismos multilaterais durante a Climate Week reforçaram três elementos que devem permanecer no centro das discussões até a COP31: escala, capacidade de execução e integração entre sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
A Binatural busca contribuir para que a experiência brasileira com o biodiesel esteja presente nas discussões internacionais sobre energia. A participação em agendas como a COP30, realizada ano passado em Belém, e a Climate Week faz parte desse movimento de levar ao debate exemplos de uma indústria que já produz em escala e pode atender novos mercados e aplicações.