Estudo da WWF reforça vantagem dos biocombustíveis em relação aos combustíveis fósseis
Um estudo recente divulgado pela WWF-Brasil reacendeu o debate sobre os caminhos da transição energética no país ao apontar que investimentos em biocombustíveis e energias renováveis podem gerar retornos econômicos e sociais superiores aos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

A análise utiliza a metodologia de Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), recomendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), para comparar diferentes cenários de investimento energético nas próximas décadas. Segundo o levantamento, priorizar fontes renováveis poderia evitar perdas bilionárias e ampliar os ganhos associados à descarbonização da matriz energética brasileira.
Entre os dados apresentados, destaca-se a estimativa de que a aposta em combustíveis fósseis na região da Margem Equatorial pode representar perdas médias de R$ 22,2 bilhões para a sociedade. O estudo também calcula que as energias renováveis trariam benefício líquido de R$ 24,8 bilhões para a economia brasileira.
Somando perdas e oportunidades desperdiçadas, o custo de oportunidade da escolha pelo petróleo pode chegar a R$ 47 bilhões. Outro ponto relevante é a estimativa de emissão de 446 milhões de toneladas de gases de efeito estufa associadas à exploração petrolífera analisada. Segundo os pesquisadores, os impactos climáticos dessas emissões poderiam gerar custos sociais entre R$ 21,1 bilhões e R$ 42,2 bilhões ao longo das próximas décadas.
A pesquisa realizou 10 mil simulações para comparar cenários equivalentes de investimento, produção de energia e volume de combustíveis, considerando riscos fiscais, impactos ambientais, saúde pública e tendências globais de descarbonização. A publicação amplia a discussão sobre os impactos econômicos de longo prazo das escolhas energéticas brasileiras em um cenário de pressão global pela redução de emissões e aceleração da transição para matrizes mais limpas.