E se o carnaval fosse movido a biodiesel?

23 de fevereiro de 2026

O carnaval de rua de São Paulo cresce a cada ano e já figura entre os maiores do país. Em 2026, a capital recebeu pela primeira vez Ivete Sangalo à frente de um bloco aberto no Ibirapuera, reunindo 1,2 milhão de pessoas em uma manhã de sábado pré-carnaval. Ao todo, 630 blocos desfilaram no período que foi do pré ao pós-folia, movimentando multidões e também uma extensa frota de trios elétricos.

Por lei, todo o diesel comercializado no Brasil contém 15% de biodiesel. Desta forma, os caminhões que puxam os blocos seguem rodando majoritariamente com diesel fóssil. Considerando uma média de 70 litros consumidos por percurso, segundo uma estimativa da Binatural,os 630 desfiles na capital paulista representariam emissões estimadas em 100,8 toneladas de CO2, de acordo com parâmetros do GHG Protocol. 

Se esses mesmos veículos operassem com biodiesel puro, o volume de emissões cairia para cerca de 18,9 toneladas de CO2. A diferença representa uma redução aproximada de 81%, podendo se aproximar dos 90%, considerando os geradores, demonstrando que a substituição integral do combustível tornaria a festa significativamente menos poluente, sem necessidade de adaptação estrutural complexa.

Os números indicam que a sustentabilidade pode desfilar ao lado da alegria. Assim como o carnaval, o biodiesel é uma solução genuinamente nacional, com escala e disponibilidade para uso imediato. Incorporá-lo de forma mais ampla aos trios elétricos seria um passo concreto para transformar a maior festa popular do país em um exemplo de celebração alinhada a uma transição energética justa e sustentável. 

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