É possível zerar emissões no setor marítimo? 

29 de janeiro de 2026

Em pleno verão, a temporada de cruzeiros volta a colocar o setor marítimo sob os holofotes no Brasil, com mais navios em operação e portos cheios.

Quando a pergunta é “dá para zerar emissões no mar?”, a resposta é afirmativa. O setor marítimo consegue chegar ao net zero e não como promessa abstrata: o caminho já está desenhado e começa com soluções que podem entrar na operação agora, com destaque para o biodiesel.

Antes, vale alinhar o conceito. No marítimo, “zerar” significa atingir emissões líquidas zero ao longo do ciclo de vida do combustível, a lógica well-to-wake (metodologia para medir o impacto total de emissões), e não apenas reduzir o que sai do escapamento. É exatamente por isso que rastreabilidade, certificação e contabilidade de emissões viraram parte central da agenda.

No plano regulatório, a direção está estabelecida. A Organização Marítima Internacional (IMO) consolidou a ambição de levar o transporte marítimo internacional ao net zero até 2050 e definiu marcos para acelerar a adoção de combustíveis e tecnologias de zero ou quase zero emissões, com meta de reduzir 30% até 2030 e 80% das emissões até 2040. Hoje, o setor é responsável por 3% das emissões de todo o planeta. 

É aqui que o biodiesel se diferencia para 2026 e além. Ele não depende de esperar uma frota nova, nem de “reinventar” a infraestrutura para começar a reduzir emissões. No Brasil, o biodiesel já tem aplicação prática via blends de até B24 (mistura de 24% de biodiesel ao diesel) e tem sido testado em condições reais, inclusive no universo dos cruzeiros e viagem de navio de carga por longo percurso.

O que esses exemplos mostram é simples e poderoso para o leitor: o net zero no marítimo não começa no “combustível do futuro”, ele começa com o que já está pronto para reduzir emissões agora, enquanto regras, infraestrutura e escala avançam. A transição é por camadas: eficiência e combustíveis renováveis disponíveis no curto prazo, com biodiesel como solução imediata, somadas a governança de dados e regulação para sustentar a trajetória até 2050.

A temporada de cruzeiros reforça porque isso importa. O debate deixou de ser só de cargueiros e passou a envolver turismo, cidades portuárias e a experiência do consumidor, com pressão crescente por respostas concretas. E resposta concreta já existe: sim, dá para zerar emissões no setor marítimo, e o biodiesel é o atalho mais realista para acelerar essa rota a partir de agora.

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