As consequências das mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano. Ondas de calor mais intensas, secas prolongadas e eventos extremos atingem populações em todo o planeta.
No Brasil, por exemplo, os impactos são bastante significativos. Estimativas do Banco Mundial indicam que as alterações no clima podem empurrar 3 milhões de brasileiros para a pobreza extrema até 2030, além de gerar perdas econômicas da ordem de R$ 13 bilhões anuais.
No mundo, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, 3,6 bilhões de pessoas vivem em áreas altamente vulneráveis. A Organização Mundial da Saúde projeta que, entre 2030 e 2050, até 250 mil mortes adicionais por ano poderão ocorrer em razão de desastres associados ao clima.
O cenário reforça a urgência de medidas capazes de reduzir emissões e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento sustentável.

Nesse contexto, o biodiesel se apresenta como uma alternativa imediata e mensurável. Desde 2005, ano em que o biocombustível foi inserido na matriz energética nacional, foram produzidos 87 bilhões de litros, volume que evitou a emissão de 270,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Trata-se de um resultado concreto, com impactos ambientais já comprovados e incorporados à rotina da sociedade brasileira.
As perspectivas indicam ganhos adicionais. Caso seja cumprido o cronograma da Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual de 1% ao ano na mistura ao diesel fóssil até 2035, cerca de 3 mil vidas poderão ser preservadas na próxima década.
Isso porque, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a cada 1% de biocombustível misturado ao fóssil, cerca de 300 mortes são evitadas, em razão da melhoria da qualidade do ar e da redução de poluentes associados a doenças respiratórias.
Diante de números tão expressivos, a previsibilidade regulatória e a execução do cronograma previsto em lei são fundamentais para ampliar esses benefícios.
A transição energética precisa avançar com rapidez e consistência. O país dispõe de um biocombustível pronto para uso, com escala industrial, benefícios comprovados e capacidade de contribuir de forma efetiva para enfrentar a crise climática.


