A Primeira COP a Gente Nunca Esquece: o que Belém me ensinou sobre o futuro da energia e do Brasil

Informativos 28 de November de 2025

A Primeira COP a Gente Nunca Esquece: o que Belém me ensinou sobre o futuro da energia e do Brasil

Por André Lavor

Encerrar minha participação na COP30, em Belém, é voltar para casa mexido. Não apenas com novas ideias, mas com a sensação profunda de ter vivido um momento histórico — e de ter feito parte dele. Para minha geração, o último grande marco ambiental que uniu o Brasil foi a Rio-92. Eu era criança, mas cresci ouvindo falar sobre o impacto daquele encontro que, mesmo não sendo uma COP, deu origem a todas elas. Ver, pela primeira vez, uma Conferência do Clima acontecer em solo brasileiro é testemunhar um ciclo que se fecha e outro que começa.

E estar lá presencialmente — minha primeira COP — me transformou.

Vi pessoas de todas as partes do mundo — povos originários, jovens ativistas, cientistas, líderes políticos, empresários — circulando pelos mesmos corredores, falando línguas diferentes, mas compartilhando o mesmo sentimento: chegou a hora de agir. Mais do que discursos, vi gente decidida. E mais do que decisões, vi algo raro: vi pessoas se sentindo representadas.

Belém virou o centro do mundo — e o Brasil mostrou que tem muito a dizer

Tive o privilégio de circular pela Blue Zone, onde acontecem as negociações oficiais e os acordos que moldam o futuro energético do planeta. É o espaço onde ministros, chefes de Estado e negociadores definem compromissos e pressionam uns aos outros por avanços reais. Ali, percebi a dimensão do que está em jogo — e também o tamanho da responsabilidade do Brasil.

Passei pela Agrizone, pela Green Zone, pela Casa ONU Brasil e pelo SBCOP. Em todos esses ambientes, o sentimento era o mesmo: o mundo está mudando de fase. A COP30 será lembrada como a COP da ação — aquela em que o debate sobre transição energética finalmente deixou de ser promessa e ganhou contornos de urgência.

O biodiesel entrou na conversa grande — e entrou com força

Nas sessões técnicas e nos encontros paralelos, inclusive nos eventos em que participei como painelista — com a Fundação Dom Cabral, Amcham-Brasil e um grupo de entidades dos setores automotivo e energético — ficou claro que o mundo exige menos teoria e mais prática.

E foi exatamente isso que levamos a Belém.

O caminhão da Binatural, movido 100% a biodiesel, percorreu 2 mil quilômetros cruzando o Brasil praticamente sem emitir CO₂. Enquanto muitos países ainda discutem pilotos, nós levamos um caso real, rodando na estrada, acontecendo agora. Isso mexeu com muita gente que esteve nos nossos debates.

E reforçou algo que eu já sabia: o biodiesel é uma solução madura, disponível e escalável.

Ele não resolve todos os desafios — nenhum combustível sozinho resolve —, mas descarboniza imediatamente setores como transporte rodoviário, logística, indústria, termelétricas, ferrovias e aplicações marítimas. E faz isso gerando impacto social: são centenas de milhares de agricultores familiares integrados na cadeia, fortalecendo economias locais e promovendo inclusão produtiva.

A COP me ensinou algo importante: a transição energética não é sobre futuro. É sobre presente.

Belém me mostrou que o mundo está cansado de esperar. Que há pressa. Que a crise climática não aceita cronogramas confortáveis. E que países como o Brasil, que têm soluções reais — como os biocombustíveis —, precisam colocá-las na mesa com mais firmeza.

Também percebi o quanto nossa responsabilidade é grande.

Quando apresentei o papel do biodiesel brasileiro em espaços com líderes globais, ficou ainda mais claro: o Brasil pode liderar a transição energética mundial. Não somos coadjuvantes — somos protagonistas.

Belém deixa um legado: mais ação, mais coragem, mais Brasil

Sair da COP30 não é voltar para o dia a dia. É voltar renovado, com ainda mais convicção no trabalho que fazemos.

Porque o biodiesel é uma das soluções mais eficientes para reduzir emissões agora.
Porque ele fortalece a economia real e gera desenvolvimento onde mais importa.
Porque ele conecta energia, campo, tecnologia e inclusão.
Porque ele nasce de resíduos que virariam problema e se transformam em energia limpa.

E, acima de tudo, porque ele funciona.

A COP30 me mostrou que o mundo está pronto para avançar — e que o Brasil tem tudo para liderar esse movimento. É hora de menos promessa e mais prática. É hora de ação. É hora de assumir o tamanho do nosso papel.

Belém me ensinou que o futuro da energia não é distante.
O futuro está aqui.
Está agora.
Está no Brasil.
E nós estamos prontos.

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