A Binatural, especialista na produção de biodiesel, vem consolidando um modelo estruturado de integração com a agricultura familiar a partir do fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis no Cerrado brasileiro. Em parceria com a Cooperativa Agroextrativista de Base Familiar do Noroeste de Minas Gerais (Copabase), a companhia contribuiu para a viabilização de uma nova estrutura produtiva voltada à cadeia do baru, fruto nativo com crescente relevância nos mercados nacional e internacional.
A iniciativa resultou na implantação de um novo galpão de armazenagem no município de Arinos (MG), ampliando a capacidade operacional da cooperativa e criando condições para ganho de escala, melhoria logística e evolução futura para etapas de beneficiamento e agregação de valor. Mais do que um investimento pontual, o projeto reflete uma diretriz estratégica da Binatural: fomentar e diversificar cadeias de fornecimento com base na agricultura familiar, promovendo previsibilidade produtiva, eficiência operacional e desenvolvimento regional.
A companhia vem ampliando sua atuação com cooperativas em diferentes regiões e biomas, reduzindo riscos associados à concentração de origens e fortalecendo uma rede mais resiliente de agricultores. “Acreditamos em um modelo de desenvolvimento que combina eficiência produtiva com inclusão econômica. Ao fomentar a estruturação de cadeias como a do baru, fortalecemos não apenas a operação, mas todo o ecossistema produtivo ao redor dela”, afirma André Lavor, CEO e cofundador da Binatural.
A atuação está alinhada ao Selo Biocombustível Social, um dos principais instrumentos de política pública do setor, que incentiva a inclusão produtiva de agricultores familiares na cadeia de biocombustíveis. Nesse contexto, a integração entre cooperativas e indústria passa a desempenhar um papel central na organização da ação e na geração de renda para produtores. Além do uso alimentício, o baru também vem sendo integrado a aplicações industriais.
Um exemplo é a utilização da casca como biomassa energética nas caldeiras da usina, promovendo o aproveitamento integral do fruto, redução de resíduos e geração de novas fontes de valor para a cadeia local. A proximidade geográfica entre a cooperativa e a unidade industrial da empresa, localizada em Formosa (GO), contribui para ganhos logísticos relevantes, reforçando a eficiência da operação e a competitividade da cadeia.
Para a Copabase, a parceria representa um avanço estrutural. A nova capacidade de armazenagem permite maior organização da produção, redução de custos operacionais e ampliação do acesso a mercados mais exigentes, incluindo exportações. “O baru ainda é um produto em consolidação, mas com alto potencial. A estruturação da cadeia produtiva e o fortalecimento das parcerias têm sido fundamentais para ampliar nossa competitividade e abrir novos mercados”, afirma Dionete Figueiredo, diretora executiva da cooperativa.
A construção do galpão também resolve um gargalo histórico da cooperativa, que até então operava com espaços alugados para armazenagem, elevando custos e limitando a expansão das atividades. Com o novo espaço, será possível não apenas organizar e dar previsibilidade à produção, mas também avançar na valorização de coprodutos. Um exemplo é a casca do baru, que passou a ter destinação econômica estruturada a partir de sua aplicação como biomassa energética, transformando um resíduo em insumo industrial e criando uma nova fonte de renda para a cadeia local.
O projeto reforça uma tendência crescente no setor de biocombustíveis e agronegócio: a integração entre grandes empresas e cooperativas da agricultura familiar como estratégia ousada para promover desenvolvimento regional, sustentabilidade e inovação produtiva. Mais do que iniciativas pontuais, ações dessa natureza evidenciam a importância de construir cadeias produtivas organizadas, com previsibilidade, escala e inserção em mercados mais exigentes. Esse movimento é especialmente relevante em um contexto global de crescente pressão por segurança energética e alimentar, no qual países passam a reavaliar sua dependência de insumos externos e a valorizar soluções baseadas em recursos locais.
A articulação entre indústria, agricultura familiar e uso eficiente de recursos naturais permite não apenas reduzir a dependência externa, mas também gerar valor econômico, renda e desenvolvimento em regiões estratégicas do país. Ao atuar de forma estruturada no fomento dessas cadeias especialmente em biomas como o Cerrado, que reúne alta biodiversidade e potencial produtivo, iniciativas como essa demonstram que é possível alinhar competitividade, descarbonização e inclusão produtiva. O projeto reforça uma tendência crescente no setor de biocombustíveis e agronegócio: a integração entre grandes empresas e cooperativas da agricultura familiar como estratégia para promover desenvolvimento regional, sustentabilidade e inovação produtiva.