O futuro do biodiesel frente à COP30: o que esperar do Brasil na liderança da transição energética?

Com uma matriz de energia já majoritariamente renovável, o Brasil pode liderar a transição global ao articular iniciativas de desenvolvimento econômico, inclusão social e descarbonização.
A realização da COP30, na Amazônia brasileira, em novembro, não será apenas simbólica. Trata-se de um momento geopolítico decisivo, em que o Brasil terá a oportunidade e a responsabilidade de liderar o redesenho da transição energética global sob uma perspectiva de justiça climática. Nesse cenário, a ampliação do papel do biodiesel na matriz energética emerge não como uma possibilidade, mas como uma necessidade estratégica.
A discussão sobre descarbonização é inseparável de uma abordagem que contemple o enfrentamento aos desequilíbrios estruturais entre países, regiões e classes sociais. O Brasil, enquanto potência energética, reúne características únicas: abundância de biomassa, infraestrutura produtiva instalada, políticas públicas consolidadas, a exemplo do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), e, sobretudo, um modelo de produção que já incorpora critérios de inclusão social por meio do Selo Biocombustível Social. O biodiesel é, nesse sentido, uma tecnologia madura, escalável e inclusiva.
Na revisão mais recente de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), compromissos assumidos sob o Acordo de Paris, o Brasil reafirmou sua meta de reduzir as emissões de gases de 59% a 67% até 2035. Para isso, será necessário alavancar instrumentos já em curso e acelerar as entregas no curto prazo. O biodiesel, com seu histórico de resultados concretos e potentes, é um desses instrumentos.
Resultados concretos
Desde a regulamentação do setor em 2005, a produção acumulada de biodiesel no Brasil ultrapassou 77 bilhões de litros, com redução estimada de mais de 240 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes, segundo o Ministério de Minas e Energia. Mais do que números, esses resultados apontam um caminho: a transição energética precisa começar onde a infraestrutura já existe e os benefícios extrapolam a lógica da matriz elétrica.
A evolução da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil é, hoje, o ponto mais imediato de impacto ambiental, social e econômico. Anunciado pelo Governo no último 25 de junho, o B15 entrará em vigor no dia 1º de agosto. E os impactos positivos serão imediatos. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento de 1% na mistura reduzirá a emissão de 1,2 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Além disso, o avanço da mistura gera externalidades positivas importantes: mobiliza a indústria nacional, estimula a inovação em novas matérias-primas, fortalece o elo com a agricultura familiar e reduz a dependência de diesel importado.
À medida que a geopolítica do clima se refina, critérios como rastreabilidade, governança e impacto social deixam de ser diferenciais para se tornarem exigências regulatórias e reputacionais. O setor de biodiesel tem se preparado para essa realidade. A Binatural, por exemplo, desenvolve cadeias de valor baseadas em resíduos agroindustriais — como a casca do baru e o coco de piaçava — e opera com logística movida a B100 (biodiesel puro).

A COP30 e o reposicionamento do Brasil no mundo
Com a chegada da COP30, o Brasil precisa não apenas defender metas, mas apresentar caminhos que já estejam em curso. O biodiesel é um desses caminhos. O país pode se consolidar como referência mundial em soluções de baixo carbono com impacto socioeconômico direto.
Em um mundo em que a credibilidade climática passa a ser critério de acesso a financiamento, acordos comerciais e reputação global, o setor de biodiesel brasileiro tem a chance de se posicionar como exemplo de transição energética justa. Mas para isso, será preciso garantir previsibilidade regulatória, estímulo à inovação e valorização do impacto socioambiental como ativo competitivo.
É hora de aproveitar esse momento em que todos os olhos estarão voltados ao Brasil para demonstrar o que o biodiesel já faz pelo país e o que a produção brasileira pode fazer também pelo mundo.
Oficialização do B15 impulsiona setor de biocombustíveis e fortalece compromisso do país com a transição energética
Aumento na mistura deve gerar investimentos de R$ 5,2 bilhões em novas usinas e esmagadoras de soja e promover um aumento de massa salarial de R$ 17 milhões.
A oficialização do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 15% (B15), anunciada pelo governo federal, representou um marco histórico para a agenda energética brasileira. Para a Binatural, uma das maiores produtoras de biodiesel do país, a medida consolida um novo ciclo de oportunidades para o setor.
“O aumento da mistura de biodiesel representa ganhos ambientais, sociais e econômicos para o país. Estamos falando de descarbonização, geração de empregos e mais renda para os agricultores familiares. Além disso, é mais um passo para a redução da dependência brasileira em relação à importação do diesel fóssil”, afirma André Lavor, CEO e cofundador da Binatural.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento na mistura deve gerar mais de 4 mil empregos, entre diretos e indiretos. Além disso, mais de 5 mil novas famílias de agricultores familiares devem ser beneficiadas no programa Selo Biocombustível Social, com um aumento de renda estimado em R$ 600 milhões. O governo também espera uma redução de 1,2 milhão de toneladas de CO² emitidas por ano.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o setor possui hoje capacidade instalada para atender a uma mistura de até 20% de biodiesel (B20), sem comprometer o abastecimento. A adoção do B15 reforça o compromisso brasileiro com sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), conforme o Acordo de Paris, e com a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Para a Binatural, o anúncio reforça a necessidade de previsibilidade regulatória e de um calendário claro de evolução da mistura até o B25 em 2030, como forma de garantir estabilidade aos investidores e segurança à cadeia produtiva.
“O B15 é uma conquista coletiva, mas também um ponto de partida. O biodiesel representa uma das principais ferramentas que o Brasil tem para descarbonizar sua matriz energética sem perder soberania, nem competitividade. Nosso setor está pronto para crescer junto com o país, de forma responsável e com impacto real na vida das pessoas”, complementa Lavor.