
Por André Lavor, CEO da Binatural
Acabo de voltar de uma das viagens mais emocionantes da minha vida. Fui até o coração da Amazônia e vi o Brasil que quase ninguém vê. Um Brasil que não aparece nas capas de revista, mas pulsa com força entre os rios, palafitas e sorrisos das comunidades ribeirinhas. Um Brasil onde a natureza é generosa, mas onde o acesso a serviços essenciais ainda é um desafio. E, mesmo assim, a esperança brilha nos olhos de cada pessoa como um farol que insiste em iluminar caminhos, por mais desafiadores que sejam.
Foram dias intensos. Navegamos centenas de quilômetros pelo Rio Amazonas, conhecendo histórias, culturas, cheiros, sabores — e principalmente, gente. Gente que emociona. Gente que acolhe com um abraço apertado, que olha no olho e te chama de irmão antes mesmo de saber seu nome. O povo do Amapá e do Pará tem um jeito sensacional de receber: com sorriso largo, braços abertos e uma generosidade que revigora. A energia é tão boa que parece que já éramos da família. Foi assim em cada casa, em cada mesa, em cada encontro.
Estive ao lado de um grande parceiro da agricultura familiar, visitando comunidades no município de Afuá, e percebi, mais uma vez, que nosso trabalho não pode ser apenas sobre resultados e números. Tem que ser sobre impacto. Sobre olhar nos olhos de quem vive a realidade que os mapas urbanos ignoram. Sobre agir com o coração.
Vivemos a colheita do açaí e vimos sua importância para a economia local. Comemos buriti, cacau, cipó ingá, peixe filhote com farinha e açaí de verdade — e cada sabor carregava uma história. Nos emocionamos diante de casas sobre estacas de madeira, crianças brincando e mulheres tecendo futuro com as mãos. Mas também vimos a urgência de pessoas que necessitam de melhores condições estruturais. No entanto, sobra força, fé e vontade de fazer diferente.
E é nesse contexto que o Selo Biocombustível Social se mostra ainda mais essencial. Ele não é apenas uma certificação. É um símbolo de pertencimento, de compromisso com a transformação social. Por meio dele, conseguimos garantir que milhares de famílias agricultoras, como as que conhecemos, tenham acesso a mercado, assistência técnica e geração de renda com dignidade. O selo é a ponte entre a indústria e o campo, entre a energia renovável e a justiça social. E mais: ele conecta todos nós — consumidores, empresas, governos e comunidades — a uma grande cadeia de valor, esperança e sorriso.
Na Binatural, nosso compromisso é com um futuro limpo e justo. Somos movidos por energia boa, e não falo só da que vem do biodiesel. Falo da energia humana, do brilho nos olhos das pessoas, da alegria de quem acredita que pode — e deve — fazer parte da mudança. Falo da energia que vimos no Amapá e no Pará e que levamos no peito como combustível para seguir adiante.
Volto dessa viagem com a alma cheia e o propósito ainda mais firme: construir um país em que biodiversidade e dignidade caminhem juntas. Onde desenvolvimento é sinônimo de inclusão, e onde a sustentabilidade é vivida na prática, de forma coletiva. A Amazônia não é apenas uma pauta climática: é uma pauta humana.
Gratidão profunda a cada pessoa que nos acolheu. Vocês nos lembraram do que realmente importa. Vamos juntos transformar o presente — com respeito, amor, biodiesel e fé no Brasil que brota de dentro, como o açaí que nasce forte no meio da floresta.
Porque o futuro sustentável que sonhamos começa com um simples gesto: reconhecer que todos fazemos parte dessa história.