Cerrado vivo: como resíduos agrícolas e energia sustentável estão regenerando o coração do Brasil

Uso da casca de baru no processo de produção do biodiesel reforça a economia circular, valoriza a agricultura familiar e aponta caminhos para a preservação do bioma mais estratégico da América do Sul.
À primeira vista, a casca da castanha de baru — fruta nativa do Cerrado — poderia parecer um simples resíduo. Mas, nas mãos de quem enxerga a sustentabilidade como valor estratégico, ela se transforma em solução energética, vetor de inclusão social e símbolo de inovação regenerativa. É exatamente isso que a Binatural tem feito com sua mais nova iniciativa no Cerrado goiano: incorporar resíduos agrícolas ao ciclo produtivo do biodiesel.
O projeto, pioneiro no país, utiliza a casca do baru como biomassa no aquecimento das caldeiras da planta industrial da empresa em Formosa (GO). Além de reduzir a dependência de lenha e evitar o descarte inadequado de resíduos, a iniciativa se alinha a uma lógica de economia circular, com impactos positivos na matriz energética, na conservação ambiental e na geração de renda para agricultores familiares.
Segundo André Lavor, CEO e cofundador da Binatural, “a escolha por usar a casca do baru é, ao mesmo tempo, técnica e simbólica: trata-se de uma matéria-prima renovável, abundante e que representa o potencial do Cerrado em oferecer soluções sustentáveis para o país”.
O Cerrado é responsável por mais de 60% da produção de grãos do Brasil, abriga 5% da biodiversidade do planeta e é berço das principais nascentes hidrográficas da América do Sul. De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF, da sigla em inglês), a produção sustentável no Cerrado pode agregar até R$ 412 bilhões/ano ao PIB brasileiro até 2030, sendo R$ 108 bilhões diretamente ligados ao setor de bioenergia e energias renováveis.
Esses ganhos só serão possíveis com o avanço de práticas como a intensificação sustentável da agricultura, a recuperação de áreas degradadas e o uso inteligente de resíduos já disponíveis, exatamente como propõe a estratégia da Binatural.
Da floresta para a caldeira: um ciclo regenerativo
O projeto com a casca de baru faz parte de uma política mais ampla da empresa à valorização de insumos locais e fortalecimento da agricultura familiar. Mais de 25 mil famílias são impactadas por programas de fomento, assistência técnica e inclusão produtiva promovidos pela Binatural.
A substituição de parte da lenha por biomassa residual também tem impactos significativos sobre a pegada de carbono da operação. Com poder calorífico superior ao da madeira e menor custo logístico, a casca do baru contribui para reduzir as emissões indiretas da produção de biodiesel — que já é, por si só, uma alternativa 90% menos poluente que o diesel fóssil.
A experiência da Binatural no Cerrado é um exemplo concreto de como empresas do setor de energia renovável podem exercer um papel de liderança na transformação socioambiental do território. Ao integrar resíduos agrícolas à matriz energética, valorizar saberes tradicionais e colaborar para a regeneração de biomas, a empresa aponta um novo caminho para o setor: o da produção com propósito, eficiência com equidade e impacto com regeneração.
“Quando falamos em futuro do biodiesel, não estamos falando só de combustível, mas de como queremos mover a economia, a sociedade e o planeta. E isso começa com escolhas locais, práticas e responsáveis”, conclui André Lavor.