Consciência Energética

15 de julho de 2025

Educação energética que transforma: o que as escolas (ainda) não ensinam sobre biodiesel

Enquanto as mudanças climáticas já ocupam espaço nos currículos escolares, o ensino sobre biocombustíveis segue restrito, mas algumas iniciativas começam a mudar esse cenário.

A crise climática, seus impactos e a necessidade de soluções sustentáveis são temas cada vez mais presentes nas salas de aula brasileiras. Nos últimos anos, crianças e adolescentes têm aprendido sobre o aquecimento global, a poluição e a importância de preservar o meio ambiente. No entanto, quando o assunto são as alternativas energéticas, especialmente os biocombustíveis, o conteúdo não costuma ir além do básico.

O biodiesel, por exemplo, ainda é pouco abordado nos currículos, apesar de seu papel estratégico na matriz energética brasileira e do impacto direto que gera na inclusão social e na valorização da agricultura familiar. Sem esse aprofundamento, perde-se a chance de conectar ciência, tecnologia, meio ambiente e realidade local.

Reconhecendo essa lacuna, algumas escolas e instituições de ensino vêm investindo em projetos educativos que aproximam os alunos da prática e do futuro. Um bom exemplo vem da Escola Casa da Infância (Salvador/BA), onde foi instalado um ponto de coleta de óleo de cozinha usado, como parte do programa Óleo e Vida, promovido pela Binatural.

“Aqui, na escola, valorizamos muito a vida cotidiana e tudo aquilo que acontece no nosso entorno. Luciana Leite, mãe de duas crianças da Casa, trabalha como coordenadora de sustentabilidade na Binatural e nos trouxe materiais diversos que foram lidos, estudados e pesquisados. De imediato, as crianças decidiram fazer uma mobilização com os vizinhos e moradores locais para coletar materiais, como óleo de cozinha, que servem para produzir o biodiesel”, conta Marília Dourado, diretora da Casa da Infância.

“Daniel, uma criança de 10 anos, fascinado com os carros abastecidos com biocombustível fez uma mobilização no seu condomínio e o engajamento cresceu. Cartazes e folhetos foram espalhados pela escola e os óleos limpos e coados começaram a chegar para o descarte correto. As crianças são indivíduos de direitos comprometidos com um planeta saudável, limpo e sustentável”, complementa a educadora.

Da educação básica à pesquisa aplicada

Além das escolas, universidades e centros de pesquisa também têm ampliado sua atuação no tema. Projetos de extensão desenvolvidos em parceria com o setor privado têm aproximado estudantes, professores e pesquisadores dos desafios reais da produção de energia renovável no Brasil.

A Binatural, por exemplo, tem fortalecido conexões com instituições de ensino superior no Nordeste, promovendo visitas técnicas à sua unidade e oferecendo apoio à pesquisa aplicada. “Queremos que mais estudantes conheçam a cadeia do biodiesel desde a origem. Isso muda a percepção deles sobre o que significa energia renovável, inclusão e inovação”, afirma André Lavor, CEO da empresa.

Apesar das boas práticas, ainda há um longo caminho para que os biocombustíveis ganhem espaço real e contínuo no ambiente educacional. O tema envolve ciência, agricultura, economia circular e cidadania, com potencial para ser um instrumento de formação crítica e de valorização do território onde as escolas estão inseridas.

A educação sobre energias renováveis não deve ser um conteúdo isolado, mas uma jornada transversal e vivencial, capaz de preparar as novas gerações para os desafios e oportunidades da transição energética justa.

Levar o biodiesel para a sala de aula é investir em conhecimento com raízes e propósito. É plantar sementes para um futuro mais limpo, consciente e inclusivo.

Próximo O Brasil na liderança da transição energética: Como o B15 impulsiona a indústria, o campo e o clima
Loading...
pt_BR